Desesperada, mãe acorrenta filho de 13 anos viciado em crack em casa em SP
Mulher diz não saber mais o que fazer para conter uso da droga.
Caso ocorre em Piracicaba, no interior de São Paulo.
Do G1, em São Paulo, com informações da EPTV
Uma mãe decidiu acorrentar o garoto em casa para impedir que ele fuja para consumir a droga. “Ele já tentou fugir pelo teto e fica muito nervoso quando acorda", diz a mãe do garoto. E justifica-se que essa a única forma de tentar tirar o menino do vício. “Eu não aguento mais esta situação. Eu quero que alguém me ajude”, afirma. O garoto ainda pratica furtos para sustentar o vício do crack. [...] leia mais
Complementando a informação acima descrita, a mãe responderá em liberdade a processo judicial por maus tratos.
Aconteceu em Piracicaba, mas, poderia ter sido aqui. Daí nos cabe algumas perguntas:
- No caso, da reportagem que nos serve de reflexão, por que o pai não apareceu, e não foi citado. Será que também responderá a processo?
- Aparentemente sem recursos para tratar o filho em clínica especializada, sem apoio de políticas públicas, o filho rebelde, já cometendo pequenos furtos em consequência da dependência; que em crise de abstinência, torna-se também violento, frente ao desespero de vê-lo preso ou morto por traficantes, a mãe deve ser punida por ter assumido essa dolorosa alternativa?
- O Estado tem mesmo direito de processá-la por maus tratos, ou ela é quem deveria processar o Estado por não disponibilizar a ela e ao filho segurança pública eficaz que mantivesse os traficantes longe daquela criança e de milhares e milhares de outras por este Brasil afora?
- Simplesmente tratá-lo com paliativos e liberá-lo para o convívio social, vai impedir de voltar ao uso do crack e tornar-se um risco ainda maior para si e para a sociedade? Quando a situação piorar, quem vai pagar essa conta?
- Os operadores dos Direitos Humanos deixarão essa mãe - e tantas outras - continuarem enfrentando sozinhas o peso e os riscos de tantas injustiças? Ou depois continuarão com a estratégia de tentarem agir nos efeitos quando poderiam ter sido eficientes nas causas?
- Se tomássemos conhecimento de algo idêntico acontecendo em Vitória da Conquista, o que faríamos, continuaríamos de braços cruzados?
por Maris Stella Schiavo Novaes