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segunda-feira, 15 de março de 2010

“Infelizmente o machismo ainda perpetua na sociedade”


Numa semana dedicada às mulheres pela passagem do seu Dia de Lutas, que em 2010 completou 100 anos de instituição, o Piquete Bancário entrevistou a presidente do Conselho Municipal da Mulher, Marlúcia Alves Nunes, que falou sobre as políticas públicas voltadas para a mulher em Vitória da Conquista e a sua preocupação com os índices de violência que ainda persistem devido ao machismo que norteia a nossa sociedade.

Qual o papel do Conselho Municipal da Mulher?

O Conselho Municipal da Mulher  foi criado em 1997 e tem como objetivo promover estudos  e debates acerca das questões ligadas às mulheres e propor ao governo municipal e à sociedade Políticas Públicas em favor das mulheres.

Você poderia enumerar algumas conquistas a partir das lutas do Conselho?

Nós sabemos que o movimento de mulheres e o movimento feminista como um todo têm contribuído muito para a implementação das políticas e pela busca da construção da igualdade entre homens e mulheres. Em Vitória da Conquista temos alguns serviços, como por exemplo a criação da DEAM – Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, que existe há aproximadamente 6 anos, sendo uma política pública que funciona razoavelmente em função da luta das  mulheres. Nós temos o Centro de Atenção às Mulheres, que atende as mulheres vítimas de violência; estamos na luta pela implantação da Vara de Violência Doméstica; buscamos a instalação na cidade da Casa-Abrigo em Vitória da Conquista e a partir do governo Lula com a criação da Secretaria Nacional de Políticas para as mulheres nós acreditamos que essas lutas todas tomaram impulso. Ainda existem muitas coisas a serem conquistadas, mas graças ao movimento das mulheres temos alcançado muitas coisas importantes, inclusive a própria criação do nosso Conselho.

Sobre o Centro de Atenção, qual a importância deste trabalho?

Bem, o Centro foi criado aqui no município em julho de 2006 e vem atendendo as mulheres em situação de violência doméstica. Além dessa função de oferecer atendimento psicológico, jurídico e social às mulheres vítimas da violência doméstica, ele tem o papel de estar articulando a rede de proteção, porque nenhum serviço ele vai atender à sua clientela integralmente, então a nossa proposta é atender a mulher nas suas necessidades integrais através da articulação de todos os serviços existentes na cidade, atuando em rede. Quando a mulher chega ao Centro de Referência e apresenta diversas demandas em função daquela violência ela é atendida no Centro e é encaminhada para os outros serviços, como por exemplo, saúde, educação, outras orientações psicológicas, à DEAM se ainda não tiver prestado queixa, entre outros.

Em sua opinião a violência contra a mulher em Vitória da Conquista está num nível considerado alto?

Sim. Posso dizer que no Centro de Referência nós atendemos uma média de 30 a 40 mulheres/mês que procuram o serviço em situação de violência doméstica. Isso é considerado um índice elevado, principalmente por que nós sabemos que esses números não representam a totalidade das mulheres vítimas de violência. Essas são apenas aquelas que têm coragem de procurar um Serviço Público. Sabemos que o número de pessoas que procuram, por exemplo, a Delegacia da Mulher ainda é pequeno. É claro que nós sabemos que em função das Políticas públicas voltadas para a mulher, à Lei Maria da Penha as mulheres estão sendo encorajadas a denunciar, então essa quantidade de crimes que estão vindo à tona eu acredito que seja muito em  função  do encorajamento destas mulheres para denunciar. Infelizmente o machismo ainda perpetua na sociedade fazendo com que muitos homens se sintam os donos das mulheres, que eles têm o poder de mando e até da vida dessas mulheres e isso a gente lamenta e em função disso que estamos nesse combate em favor de quebrar essa desigualdade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

"Queremos estimular as mulheres a se candidatar e reivindicar suas inserções nos espaços de poder"


Secretaria Nacional de Mulheres, Dora Pires  (PSB-PE): 

Secretaria Nacional de Mulheres, Dora Pires (PSB-PE):
A questão de gênero está na pauta de discussões nacionais. Diversos encontros vêm sendo realizados em todo o país para tratar do tema. Os eventos são patrocinados pelas Executivas Estaduais do PSB, num movimento de apoio as Secretarias Estaduais de mulheres e suas comissões provisórias. De acordo com a secretária Nacional de Mulheres do PSB, Dora Pires, os debates visam o fortalecimento das mulheres nos espaços de poder: "Queremos estimulá-las a se candidatar, reivindicar suas inserções nos espaços de poder". 

A secretária conversou com a jornalista Priscila Rocha, do Portal PSB, e enfatizou a importância dos encontros. Confira a entrevista na íntegra: 

Portal PSB: Qual o tema mais discutido nos seminários que tratam da política de gênero? 

Dora Pires:
 O tema mais debatido nos encontros é o fortalecimento da mulher nos espaços de poder. Devemos estimular as mulheres dentro do Partido (nas instâncias, nos diretórios e nas executivas). Elas precisam se candidatar, disputar cargos, enfim, espaços de poder. Participei nos últimos meses de vários encontros pelos estados, inclusive com a participação masculina. Estive presente aos seminários do Espírito Santo, que contou com a participação do senador Renato Casagrande, deputados estaduais, vice-prefeito de Vitória e prefeitos e vereadores do estado, Mato Grosso do Sul e Paraíba, realizados em fevereiro e março, respectivamente. A Secretaria Nacional de Mulheres do PSB também esteve presente no seminário do Rio Grande do Norte com a participação da sua coordenadora de finanças, Neide Lima (ES), além da governadora Wilma de Faria e dos deputados federais Sandra Rosado e Rogério Marinho. Os próximos serão em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

Portal: Quais foram suas impressões até o momento? 

Dora:
 As minhas impressões foram muito boas. No Espírito Santo as secretárias de mulheres organizaram o encontro com o formato comemorativo do Dia das Mulheres. Também tivemos debates sobre formação política com a participação dos homens. No Mato Grosso do Sul, mais de 300 mulheres participaram. O presidente do PSB no Estado, Sérgio Pereira Assis, está muito empenhado na organização da Secretaria de Mulheres. O Mato Grosso do Sul é um Estado pioneiro na questão de gênero no PSB. Assis está com boa vontade de fortalecer o Estado nesse sentido. Ele trouxe mulheres de vários municípios para dar início a questão da formação política. Acho importante que os presidentes estaduais se empenhem na tarefa de discutir política de gênero e seguir o exemplo do presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que na sua gestão está com essa compreensão. O PSB em PE está muito revolucionário em relação às inquietações das mulheres. O governador criou uma secretaria de Estado voltada para as questões de gênero. As mulheres estão estimuladas a buscarem junto aos companheiros e companheiras apóio para as eleições de 2008.

Portal: E no Congresso Nacional, como estão sendo tratados os assuntos voltados para a política de gênero? 

Dora:
 As parlamentares do PSB no Congresso Nacional estão focando as discussões nas questões sobre violência contra mulher, com foco na Lei Maria da Penha, bem como na temática das mulheres nos espaços de poder e no mercado de trabalho. A Secrtaria Nacional do Partido vai elaborar um indicativo de plataforma para ser apresentados a todos os candidatas e candidatos a gestão municipal do PSB.

Portal: Como vem sendo feito o trabalho nos encontros?

Dora: Nos cursos de formação políticas, nós socialistas, temos apresentado a Lei Maria da Penha às mulheres, para que elas tenham conhecimento. A lei é uma possibilidade de felicidade e de sair da situação de violência. Ter visão para buscar sua renda e se inserir com mais força no mercado de trabalho. Nós estimulamos muito essa busca uma vez que esse fator é um dos motivos pelos quais as mulheres ficam na situação de violência".

Portal: Qual sua análise sobre o mercado de trabalho para as mulheres? 

Dora:
 A mulher precisa se lançar ao mercado de trabalho e parar de viver em estado de subjugo por não terem outra opção. Nós estimulamos a capacitação. Hoje várias mulheres mantêm suas famílias, sem companheiros. Muitas não têm emprego formal. Então é importante que elas busquem capacitação dentro de seu talento, ou aprendam algo de onde possam tirar sua renda e manter a sua família.

Portal: E a mulher negra? 

Dora:
 A mulher negra é muito mais fragilizada. Primeiro por ser mulher, segundo por ser pobre, na maioria das vezes, e terceiro por ser negra. Ela sofre todo tipo de exclusão. De acordo com estatísticas, ela é o sujeito mais excluído da sociedade. Queremos que as mulheres acordem para essa realidade. Brigar por espaços de poder é uma coisa legítima. O mundo como um todo tem um débito com as mulheres. As mulheres precisam ousar.

Portal: O que a senhora tem a falar sobre o Direito Reprodutivo da Mulher? 

Dora:
 O Partido precisa se preparar para debater a questão do direito reprodutivo da mulher. Isso é uma questão que está na pauta nacional. No último encontro nacional de mulheres do Partido esse assunto veio à tona. Provavelmente depois do congresso e das eleições, nós vamos criar um grupo para embrionar essas discussões. Não podemos discutir a questão do aborto de forma leviana. Teremos que discutir seriamente. O Partido, no entendimento da secretaria, tem que ser laico em todas as discussões. A secretaria organizará, junto com a Fundação João Mangabeira (FJM), um núcleo de estudo de gênero. Discutiremos o assunto de forma mais técnica, teórica para depois debater externamente com o grupo. É um assunto polêmico. O PSB é um Partido democrático que está aberto às discussões. Também continuaremos a trabalhar o tema da violência contra a mulher, o enfrentamento da mulher nos espaços de poder, o mercado de trabalho e a organização de secretarias de mulheres em todos os Estados".